Arquivo de Agosto de 2009
Quando Orlando virou oficialmente um município, em 1875, apenas 85 pessoas moravam no local. Comparar esse número aos mais de 40 milhões de turistas do mundo todo que visitam a cidade por ano mostra que Walt Disney escolheu bem a localização do terreno comprado para transformar em sede de seu complexo de entretenimento, noventa anos depois.
A construção da Disney World, além da do Kennedy Space Center, transformou a região, trazendo mais investimentos e habitantes para a cidade, que passou por uma fase de crescimento gigantesco. Hoje, a área que já foi esnobada pela grande quantidade de charcos que possuía, é certamente um dos locais mais conhecidos do planeta, sempre associado a ideia de diversão ininterrupta gerada pelos parques temáticos construídos ali.
Se o Disney World Resort tem os parques mais famosos da região, Mickey Mouse não se incomoda em dividir espaço com as atrações radicais do Universal Studios ou a rica fauna aquática de Sea World.
Mas Orlando tem bem mais a oferecer ao visitante. Museus, passeios de balão, esportes e boa cozinha mostram que a cidade é o destino perfeito para famílias, com ou sem crianças.
A cidade também conta com dois outlets com várias marcas conhecidas, que valem o passeio até de quem acha que não gosta de fazer compras. Os preços podem ser irresistíveis em alguns casos e não levar nada é certeza de arrependimento chegando ao Brasil.
Como cada parque temático pede uma visita de, no mínimo, um dia e algumas atrações imperdíveis, como o Kennedy Space Center, pede uma viagem de carro, o ideal é programar ao menos uma semana inteira para ver um pouco de tudo. O cansaço (pela caminhada diária extenuante e o calor que é frequente na região) que certamente vai tomar os turistas pode ser facilmente driblado com visitas aos parques aquáticos entre os dias de passeios. Além das atrações, os locais são excelentes para dar uma folga a pernas e pés antes de mais um dia de caminhadas e emoções em montanhas-russas e simuladores. Ou mesmo da espera na fila para tirar uma foto abraçando o Pato Donald.
Alugar um carro é uma das melhores ideias para quem vai à cidade. As atrações são distantes uma das outras e apesar de seguro, o local não é exatamente convidativo de ser explorado a pé.
Não se engane: ir para a Orlando pode ser um sonho tipicamente infantil, mas chegando lá é impossível não se emocionar com as atrações temáticas, e programar uma segunda viagem assim que possível (ou terceira, ou quarta…).
27 de Agosto de 2009 às 15:33
Multitour Viagens
São Luís é capital do Maranhão e do reggae ao mesmo tempo. Banhada por mar e rio, a cidade que no século 19 se cobriu de azulejos portugueses para melhor resistir ao calor da zona equatorial virou também sinônimo de Patrimônio Cultural da Humanidade.
O título veio uma década atrás, em 1997, quando a Unesco confirmou o Centro Histórico como “testemunho excepcional de tradição cultural”. Somando-se os tombamentos federal e estadual, são cerca de 3.500 edificações dos períodos colonial e imperial, entre sobrados, palácios, igrejas e casas de porta e janela, em diferentes estados de conservação.
Uma visita ao bairro da Praia Grande, antiga zona portuária, costuma começar pela rua Portugal, onde sobrados de até quatro pavimentos são revestidos de cerâmicas coloridas de cima a baixo. O azulejo ajuda a refletir os raios solares, protegendo os moradores do calor e também conservando as fachadas contra as chuvas torrenciais do primeiro semestre. Em São Luís, o calor e chuva não são para amadores.
O reggae de inspiração jamaicana se impõe entre as animadas manifestações culturais da região e compete com o bumba-meu-boi em popularidade e lazer para multidões. Existe até o Dia Municipal do Regueiro: 5 de setembro.
Cultura negra onipresente
Fundada por franceses em 1612 e reconquistada pelos portugueses três anos depois, a capital está localizada na parte ocidental da Ilha de São Luís, no Golfão Maranhense. Os rios Bacanga e Anil banham a região central, compondo uma bonita paisagem com o Palácio dos Leões, antiga fortaleza. No sentido centro-bairro, a partir da ponte Presidente José Sarney começa a orla com as principais praias: Ponta d´Areia, São Marcos, Calhau.
Com cerca de 960 mil habitantes, São Luís pode ser comparada a capitais como Salvador e Rio de Janeiro quando o assunto é a força da cultura negra, presente nas festas populares e rituais afro-brasileiros. Exu, tranca-rua, Ogum, encruzilhada, Casa de Nagô e pomba-gira, por exemplo, são termos das canções de Zeca Baleiro e Rita Ribeiro, dois artistas do Maranhão, terra natal da cantora Alcione e dos poetas Gonçalves Dias e Ferreira Gullar.
Em 2007, a dança tambor de crioula, que homenageia São Benedito, foi promovida a Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, um título já concedido pelo governo federal a outras preciosidades como o frevo pernambucano e o ofício das baianas do acarajé. A história da escravidão também constrói o tambor de mina, o nome para a religião afro-brasileira local. Na costa africana, os escravos eram embarcados desde o Porto de São Jorge Del Mina, e o termo passou a identificar etnias da população negra.
No enredo do bumba-meu-boi, duas das figuras principais são escravos: Catirina e o marido que, tresloucado de amor, mata o boi do patrão para que a mulher, grávida, realize o desejo de comer a língua do bicho. A festa junina do “boi” tem a complexidade dos diversos sotaques, os ritmos de zabumba, matraca ou orquestra, e uma infinidade de cores e brilhos nas roupas e adereços dos participantes.
Museus como Casa do Maranhão, Cafuá das Mercês e Centro de Cultura Popular oferecem aos turistas uma ótima oportunidade de conhecer melhor a história das festas e rituais. Além de protegê-los contra o calor em ambientes refrigerados.
Não bastasse a ausência da cor azul que marca as águas da orla nordestina, as principais praias de São Luís são poluídas, resultado de prolongado descaso com o saneamento básico. A má notícia foi confirmada em 2007 numa pesquisa da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) que detectou índices de coliformes fecais muitas vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde. O problema se verifica em praias como Ponta d´Areia, São Marcos, Olho d´Água e Calhau, próximas do centro. A maré sobe ou desce a cada seis horas, um espetáculo para ser assistido de longe. Moradores bem-informados preferem a distante Araçagi para banho.
às 15:15
Multitour Viagens
A fé remove as nuvens. Em balneários como a pacata Maragogi, no litoral norte alagoano, os movimentos de moradores e turistas são ditados por dois elementos: sua excelência, o Sol, e os horários da tábua de marés. A luz forte deixa a água do mar ainda mais cristalina e realça as cores das barreiras de corais nas galés, as piscinas que são a principal atração do lugar. Se o guia do catamarã com dezenas de passageiros está garantindo que pensamento positivo traz tempo bom, então não custa obedecer quando ele pede: ‘Alegrem-se! Vocês vão conhecer um lugar belíssimo!’.
A Costa dos Corais é uma APA (Área de Preservação Ambiental) desde 1997, que abrange 135 km da costa brasileira, de Tamandaré, em Pernambuco, até Paripueira, em Alagoas. As galés de Maragogi, distantes 6 km da praia central da cidade, ficam no miolo deste rico ecossistema.
O turismo que desenvolve a economia permite o contato direto com os recifes de corais, rochas imensas, ao mesmo tempo rígidas e delicadas, formadas por organismos com esqueleto calcário. Os corais são bastante sensíveis ao aquecimento global e à poluição. Alguns cuidados são tomados para reduzir os danos à vida marinha. Nas piscinas de água rasa, é proibido usar nadadeiras e alimentar os peixes, por exemplo.
Os passeios de catamarã ou lancha para mergulhar nas galés são o carro-chefe da programação de um dia em Maragogi, em pacotes que partem de Maceió, 130 km ao sul, ou de Recife, 125 km ao norte. Se o turista deu sorte e chega num dia de maré mínima em seu ponto mais baixo, entre 0,1 m e 0,2 m de altura, ele enxerga uma paisagem fantástica: grandes extensões de recifes de corais expostos, água transparente pelos joelhos, bancos de areia onde os guias de mergulho aproveitam para jogar futebol em alto-mar.
Com a maré mais alta, entre 0,4 m e 0,7 m, em dias de correnteza forte, aumentam as dificuldades para se movimentar entre os corais e o risco de machucá-los. Em qualquer situação, é possível mergulhar com snorkel ou cilindro, este com acompanhamento de guias, a 5 metros de profundidade, o que permite enxergar pontos distantes e ainda intocados dos recifes coralinos. Peixinhos escondidos em grutas, anêmonas, corais-cérebro e algas multicoloridas.
Se o turista não levou câmara fotográfica submarina, fotógrafos-mergulhadores se oferecem para registrar as aventuras aquáticas e devolver as imagens em CDs. Com o detalhe que eles burlam a proibição de alimentar os peixes, atraindo cardumes para as fotos com farelos de comida escondidos nas pulseiras.
Graças à estrutura crescente de resorts, hotéis e pousadas, Maragogi alcançou o status de segundo pólo turístico de Alagoas, atrás apenas da capital. Estadias de alguns dias permitem visitar várias praias de águas cálidas e transparentes, menos urbanas e mais rústicas, sempre protegidas por coqueirais, como Bitingui, ao sul, e Ponta do Mangue, ao norte.
A cidade tem cerca de 25.000 habitantes. No centro, nas proximidades da praça da Igreja de Santo Antônio, cercada pelas vans que fazem o transporte dos moradores, um dos prédios mais imponentes é o da agência do Banco do Brasil. O agito social se concentra no calçadão da praia de Maragogi, área com bares, restaurantes, lojas e agências de receptivo.
No circuito off-Maragogi, impõe-se uma visita à cidade de Japaratinga, a 10 km de distância. Ali o litoral é mais recortado. No alto do morro da Biquinha, uma pousada de luxo franqueia uma vista espetacular do mar e do relevo. Na praia de Bitingui, a Vila Bitingui convida os caminhantes a descansar em redes sob coqueiros, com garçons servindo drinques, petiscos e refeições.
Japaratinga é menor do que a vizinha famosa, tem cerca de 7.500 habitantes. No centro, a agência dos Correios fica a poucos passos da igreja e da prefeitura, ambas diante da Praça das Candeias, onde os moradores se protegem do sol e vêem a vida dos outros passar, a pé ou de motocicleta, o transporte popular da cidade. O condutor usa capacete, o passageiro não.
Maragogi e Japaratinga são daqueles lugares gostosos de descobrir. São garantia de agenda lotada de boas experiências e de férias cheias de recordações.
às 15:02
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Cancún é o principal destino turístico do México, país de 105 milhões de habitantes e berço de culturas ancestrais como a maia e a asteca. O balneário de hotéis luxuosos diante de um mar azul-turquesa fica na Península de Yucatán, a duas horas de vôo da capital, Cidade do México, e atrai multidões de norte-americanos sobretudo de novembro a março, a alta temporada.
De abril a junho os preços baixam, enquanto sobem a temperatura e a umidade do clima tropical. Em julho, volta a ser temporada de férias e de calor para turistas do hemisfério sul fugindo do inverno. Depois de agosto e até outubro, instala-se a temporada dos furacões.
A cidade está sendo reconstruída desde a devastação provocada pelo furacão Wilma, em outubro de 2005. Toneladas de areia branca e milhares de palmeiras foram injetadas na orla, que se estende por cerca de 20 km da famosa Zona Hotelera, onde se concentram centenas de opções de hospedagem e diversão.
Cancún tem a vida noturna mais animada do país. Se em paraísos como Aruba a noite conta com comportados freqüentadores de cassinos e boêmios para quem a maior contravenção é mergulhar numa Piña Colada gigante, na cidade mexicana a excitação costuma subir para dançar nas mesas, em casas de show com múltiplos ambientes, com ou sem participação especial de drag queens e strippers. É outro nível.
Contribui para a descontração a qualidade do catálogo de tequilas servido nos bares e restaurantes.
Mar agitado e sítios arqueológicos
O mar nem sempre está para banhistas em Cancún. No lado caribenho da orla, do km 10 ao km 20 do Boulevard Kukulkán, fortes correntezas, anunciadas por bandeiras coloridas, podem proibir a entrada na água. Se nadar e mergulhar de snorkel são programas básicos das férias escolhidas, em especial para famílias com crianças, então é melhor optar pelos hotéis próximos às praias da Bahía de Mujeres, como Tortugas e Langosta.
A prática de esportes aquáticos (jet ski, parasail, caiaque) também ocupa as imensas lagoas que desenham a cidade dividida em El Centro e Zona Hotelera. E a adrenalina de nadar com golfinhos ou mergulhar desde cinco metros de altura avança até os grandes parques aquáticos distantes do balneário, como Xcaret, Xel-Há e Garrafón, este na vizinha Isla Mujeres.
Além da vida noturna digna de nota, duas qualidades somam pontos para Cancún na comparação com destinos em que o forte é o relax na praia em verão prolongado: a proximidade de sítios arqueológicos importantes e a gastronomia mexicana.
às 14:36
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